terça-feira, agosto 01, 2006

Praxes Académicas - Comunicado do MELLE

A praxe académica é justificada por quem a pratica «por ser tradição», uma tradição tão nobre como a escravatura, matar judeus ou o bombardeamento nuclear. Na mente dos velhacos pode-se fazer tudo em nome da tradição! Na verdade a praxe em Portugal apenas é praticada há décadas na Universidade de Coimbra, tendo sido interrompida na sequência da Revolução de Maio de 68 e só então retomada nos anos 80 por indivíduos matriculados em Universidades de todo o país. Foi o desvanecer dos ideais de Abril e a consagração de uma ditadura mascarada de democracia. As torturas do passado, incluindo as da PIDE, durante o Estado Novo, são continuadas nos dias de hoje, dentro das universidades, não raras vezes com a cumplicidade suja das Reitorias.Os individuos que estão ligados à praxe, os que se dizem "Doutores ou Veteranos" são Doutores de coisa nenhuma. Na verdade muitos deles estão há vários anos matriculados na Universidade, a desperdiçar vagas e recursos, num sistema de acesso já de si corrupto e injusto. Com cumplicidade institucional alguns estudantes universitários cometem crimes no interior das escolas e permanecem incólumes.Defendemos que as Universidades devem ser espaços abertos que promovam a liberdade e que permitam o livre pensamento.Não vamos permitir que se continue a ensinar e praticar actos de xenofobia, actos de violência, a coerção, o uso abusivo e indiscriminado de drogas, a humilhação, a afronta à dignidade, a afronta aos direitos da mulher, à igualdade e à tolerancia pelas crenças alheias. Os Reitores das Universidades são responsáveis e devem ser responsabilizados pela cooperação na prática de verdadeiros atentados à democracia e à liberdade, quando ano após ano, os novos alunos continuam a ser humilhados e abusados pelos seus colegas mais velhos com ofensas, psicológias e corporais, por vezes de inspiração fascista e nazi fazendo crer que estas estão de acordo com a legislação em vigor. Os Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior devem também ser responsabilizados, por compactuar com estas práticas anticonstitucionais e que violam os mais básicos direitos humanos.Deve o Ministério da Educação em conjunto com o Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, com carácter de urgência, realizar Acções de Formação de carácter pedagógico, de frequência obrigatória por todos os funcionários das escolas e universidades portuguesas, para que estes cumpram o dever cívico de identificar e denunciar os abusos e contribuam para uma mais eficaz eliminação das praxes.
Lisboa, 30 de Julho de 2006,Comissão Nacional do Movimento Estudantil de Luta pela Liberdade na Educação

2 comentários:

Rodrigo disse...

MELLE.. a liberdade na educação está na eliminação das praxes? O que é a liberdade na educação?

Para mim a praxe é uma "actividade" paralela à frequencia do ensino superior. Felizmente, na minha escola, só é praxado quem quer. Uns gostam, outros não. Todos podem optar.

É verdade que a praxe tem regularmente pouca moderação e ponderação, o que a meu entender é a única coisa a ser combatida. A praxe não é o que referem como "ensinar e praticar actos de xenofobia, actos de violência, a coerção, o uso abusivo e indiscriminado de drogas, a humilhação, a afronta à dignidade, a afronta aos direitos da mulher, à igualdade e à tolerancia pelas crenças alheias", esta é apenas uma pequena parte negra. Alguns dos casos referidos são tão raros que nem deviam ser usados para descrever a praxe.

A praxe não deve acabar. Ele é uma grande valia para muitos caloiros, mesmo que estes não se apercebam nem a valorizem. A praxe apenas deve ser moderada.

Anónimo disse...

Apoiado!
Existe um discurso articulado que garante que as praxes são uma forma de integrar os novos estudantes na instituição onde irão passar os próximos anos das suas vidas. Esse discurso,em meu entender é uma mentira sem vergonha. As praxes não têm outra função para além de humilhar e exercer um poder discricionário sobre os mais fracos, e é inadmissível que tais práticas sejam permitidas em universidades.