sexta-feira, setembro 01, 2017



Junho
de amor a olhar Outubro
dias a dias de árduo
a Verão escondido de neblina
ou de parede malandrinha
quando o Verão se esconde
numa janela.
vidros sujos de cansaço
e passado
quando o amor fica longe
e calor no Futuro
numas férias de folhas
estaladiças
pedindo também quebradiças
de uma rotina
que de 4 se fica

e de longe se quer olhar.


segunda-feira, outubro 05, 2015




Preciso. Impreciso.

Quero um lugar que tenha lugar o sonho, o acaso.

De cabeça cansada, embrutecida pela rotina, pelos cépticos e amargura,

olho sem ternura, nunca assim experimentada...

para um tal "20º Acaso" que tirei algures em Leiria

sem vontade mas com nostalgia.

Faltar-me-à o sonho...ou será apenas tempo...ou serei diferente?

Preciso.

Preciso de mais precisão para poder olhar a vida com cores novamente.

Agora amadureço e enrijecer sem amor pelos meus fracos...

pela arte. Esqueço-a. Temo.

Temo a minha morte, por amor a alguém,

agora a rotina afoga-me em ordinarisses...sem dó,

e pior...


a minha vida depende delas.

sábado, fevereiro 21, 2015

Uno.
Reúno o arruinado antes pensado que agora não faz efeito, talvez apenas porque não se concretizou.
Junto todos os pedaços de papel rasgado, apenas sonhos adiados de medo na fronte.
Papéis…volto a uni-los, a rasga-los em pedaços mais pequenos até desvanecerem as ideias, os sonhos, desejos que neles se mostram e faço questão em dar-lhes caminho acabando com o meu.
Cada dia passa. Cada dia irá passar num futuro a longo prazo numa rotina que a vida não visita nem mesmo a felicidade, apenas o meu conformismo, pondo alegria em todas as pequenas coisas e nos problemas que se evitam mas voltam ainda com mais veemência à superfície.
Nisto…porque é que o medo não se rasga? Animal roendo a minha carne que nada resolve, só adia a minha suposta existência que deverá ser agora, pois o amanhã parte do que se consegue hoje. E nisto agarro os pés, voltando à mesma posição.
Conforto.
Desconforto que se resolve não se resolvendo.
Agarro. Mordo as pontas dos dedos dos pés. Tapo-me. Espero.


Apodreço.

segunda-feira, agosto 19, 2013

"Um homem sem memória, é um homem sem passado." Albert Camus


Porque escavas? 

Se a memória fosse veneno, alguém não teria presente. 
Para quê ter memória quando magoa? Ter um presente amargurado devido a maus presentes no passado. 
O que do lembrar vale a pena são as sensações. 
A sensação estrutura-nos, e porque construir só se faz a punho, com toda a dor do esforço que lhe recai…podia dizer-se que um homem sem sensações é alguém sem presente nem futuro. 
Mas, memória … memória é como um selo visível ou invisível para nós ou outrem, que veda a fronte. 
Tudo é nítido na memória, tudo é demasiado realista ou natural, sem a graça da luz que jaz em cada indivíduo onde mora a cor que há em cada coisa que ele absorve, e assim pinta-se algo não muito perceptível e sempre belo. O hediondo é apenas um resto…foi transformado …em algo anímico e luzidio…impressionista, a sensação. Esta move-se e move-nos. 
Digo. Não pendurem a memória em paredes, sejam elas quais fores ou onde quer que estejam. Pendurem: Quadros impressionistas. 









sexta-feira, agosto 24, 2012

"A menina dança?"


Sinto-me dissonante,
A cada dia que passa.
Tempo corre, sem volta e traz um futuro só com casca, de noz estragada.
Toco piano sem semi tons. De folha branca em frente. E continuo a insistir no improviso, sem dó. E com ridícula piedade, sendo ela o tom que me permite continuar o caminho sem aumentar, por mim, o valor do meu dia a dia. Nem boas nem más noticias. VAZIO.
Sinto-me enganada. Pelas teclas que correm dia após dia, pelas palavras repetidas, ouvidas e possivelmente não sentidas. Pela inexistência do tempo, e pelo conteúdo rico que este fantasma sempre apaga.
Sinto-me em dó sustenido. Quase ré dos meus próprios sonhos.

sexta-feira, junho 01, 2012

Dias ao Sol.


A uma tarde de sexta-feira que mais se assemelha a uma noite de domingo, com o futebol sempre como saída do beco, onde afinal é praça que abraça o Tejo e a mim. Nela Pessoa perdido não se fez rogado em deixar num copo vazio e numa meia-noite de lua nova, a saudade de todos os seus rostos, que em cada português, dançante do fado, deixa, mesmo por segundos. Praça do Comércio. Tanto me vendes, com tão bom vinho me enganas. Decerto não a mim somente.
Não sei por onde andei, sei apenas que acabei a jantar na cidade de Tomar, ao começar da noite num tão maravilhoso convento, onde até D. Manuel, por Cristo, pecou…em beleza.
Sempre a dormir andei, depois disso, até que me encontrei num rodopio de jogos tradicionais, que a mais não foram, onde a gula passa por etiqueta numa quinta a que se dá o nome de Gaio de Baixo, e onde o touro é mais do que macho.
Agora bem sei, pela Vala Real rodei, até fazer a Rota dos Mouchões, no rio que não só à cidade da luz pertence, mas às garças que não tiram a graça aos cavalos lusitanos, sadiamente vagueando pelo seu respectivo mouchão, ocupando também, depois, a saborosa Casa Branca, simultaneamente modesta e franca que sensualmente habita a margem do rio, contando histórias ao calor do viajante que nela se queira prolongar.
Depois das águas em Águas Moura me encantei, entre barricas e vinhos deliciosos da Casa Ermelinda Freitas, que nada têm de água, para quem acredita que água não tem seu sabor…. este vinho traz o labor de grandes mulheres, sendo esta bebida sangue que escorre depois do suor de seus corpos fazerem amor e darem à luz este alimento do seu coração.

Lia Cardoso

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

A Valsa com o Lírio.



Foi um espelho que me mostrou o teu reflexo mais verdadeiro.


A partir dele…
Graças a ele….
Não te invento, antes, confirmo-te.
Devido ao espelho, agora danço, e sinto-te em todos os passos.
Esse sentir, que se vê no mais fumado dos reflexos,
torna-me a cada passo mais dormente. Não é amor.
Torpor que advém da doçura que toca o irreal,
E como poderia o irreal sentir-se? Desmaterializando o real….
...a existência, o próprio sentir.
O Vazio sempre existente ante o ideal torna-me perplexa.
Agora, o meu corpo jaz entre medidas pouco idílicas,
perdendo-se na presença de teclas oníricas,
que me levam mais longe do que alguma vez suspeitei.
Quero respirar.
O abandono implícito a tudo isto é medonho,
sorri a cada gesto, a cada tentativa de fuga impõe-se,
com uma abrangência assustadora.
Que faço? Não posso abandonar-me.

                            



Waltzing with Lily


I was shown your truest reflection by a mirror.

From it…
Thanks to it…
I do not imagine you, I assert you, instead.
Due to the mirror, I now dance, and I feel you in every step.
That feeling, visible in the most hazed of reflexes,
Makes me numb at each step I take. It’s not love.
Numbness being borne in the sweetness that touches what’s real.
And which way could the unreal be felt? By dematerializing what’s real.
… existence, the act of feeling, itself.
Emptiness always existing in front of what’s ideal stuns me.
Now, my body’s lying among such unidylic measures,
Losing itself in the presence of dream state keys,
Taking me further than I’ve ever expected.
I want to breathe.
The implied abandon in all this is frightening,
Smiles with each gesture, imposes itself at the slightest attempt to escape,
With an astonishing range.
What do I do? I can’t leave myself.