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Amarguro-me mais uma, duas, três vezes com pensamentos vãos que me atam ao desespero da falta de confiança em mim, à falta de crédito que me dou e consequentemente a um amor-próprio corrompido. Não há brisa fresca num calor intenso que me reanime e me esgote o constante pôr em causa do eu e do mundo que me avizinha. Sinto-me mal com o meu reflexo, devendo em vez disso ignorá-lo. A força nasce do esquecer dos desagrados não da sua lembrança, esta só traz incómodo, energia e intenções negativas ou energia e estado de espírito desconfortável. Eu, sabendo disso não passo da cepa dos tortos e continuo a martirizar-me com os mesmos princípios, com a mesma mesquinhez. Não há meio. Não há meio de evoluir, subir a escada para um patamar mais confortável e sensato. Tenho saudades de quando, me pondo em causa, andava em frente. Como se vive uma coisa e não se sabe recuperá-la? Nem se relembra o caminho para? Confusão? Falta de respeito por mim? Inevitáveis dúvidas? Dúvidas entranhadas no fundo da...
A mim, tudo desaparece quando passa. Infelizmente. Infelizmente, quando olho ao espelho não me sei ver valor, e isso viabiliza sentir-me entre a espada e a parede quando me apontam o dedo. Como ultrapassar isto…? Como ultrapassar o desrespeito que criei por mim, nestes últimos 4 anos, e que me tem posto o coração nas mãos? Os olhos ardem, e a cabeça ferve. Estou farta que não assumam os seus erros, estou farta de conveniências do ego alheio, não havendo respeito pela sua verdade, não havendo compromisso entre assunção de desagrados e coragem de os remediar, não tendo em conta mundo em redor, e de que não haja consciência que o seu ego é um nada que só existe, com alguma esperteza, havendo cordialidade com o próximo. Como ousam criticar-me por me analisar constantemente afirmando, ser eu, egocêntrica, se tudo se justifica quando sei posicionar correctamente o meu eu perante os outros, pois conheço as minhas falhas melhor do que ninguém, sendo eu a primeira a apontá-las… Fazem-no e não s...
Se subo escadas de papelão não sei. Não leva a nada duvidar da paz, nascida de uma noite mal dormida, de um dia ocupado. Resta-me, sobrando em alegria, acreditar que o estado de espírito de hoje se prolongará, com toda a motivação subjacente. Delicia-me a visão de uns meses próximos, enriquecedores, em que faço do tempo livre, tapete vermelho de um futuro próximo. Delicia-me, como sempre, fazer planos, mas desta vez sem utopias e com modéstia… com um forte tempero de realismo que me reconforta, derretendo-me em prazer e paz. Delicia-me a tranquilidade que reencontro em mim durante os pequenos afazeres…enche-me de sabor o afastamento de vícios que justificam os pecados capitais. Como me sinto feliz… Como sinto, arduamente, a libertação de tudo o que me incomodava nas entranhas. E como é engraçado acabar um dia buliçoso e algo amargo, nos seus azares correntes, com lágrimas presas no canto do olho ao escrever isto… Presas, por medo de assumir uma felicidade ainda não confirmada pelo temp...
Agora já de manhã, não tendo dormido ainda, relembro o pacote dos últimos tempos, e peço por tudo, ao que me é mais forte, para não o esquecer, e conseguir tomar uma atitude para modificar tudo até ao oposto. O que relembro traz-me lágrimas, o presente traz-me lágrimas que escorreguem em silêncio, numa miscelânea de prazer e dor, alegria e amargura. No meio disto muitos pensamentos de mudança intrínseca me invadem, não no que se liga à minha essência, mas às minhas fraquezas e desatinos, que embora me tragam uma vida de que fiquei viciada, desenham-me um futuro doloroso e incerto, do qual preciso escapar…salvar-me. Como desejo bastar-me a mim mesma! Isso irá arrumar o meu caos.
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Galeria de Arte - Covilhã Projecto III/2 Fase 2      
“Porque tenho eu frieiras se nunca tiro as luvas”. O relógio no Infante dá as batidas, mesmo adjacente a mim, num silêncio pontual, que resulta do 13 de Maio ou das queimas noutras cidades. Deixo de fazer os deveres já pendentes e enrolo-me cada vez mais na inércia, que ontem no meio de macas, bancos e garrafas de soro se deu como tensão baixa, haja ou não boa alimentação, muito café ou sal. Antes isso que preguiça…Preguiça não é curável. Isto aliviou-me e enquanto me agarrava a um telefone público para chamar táxi, tive um prazer imenso na minha falta de companhia, no meu azar, e nas minhas sucessivas odisseias com a saúde. Tive prazer no silêncio depois da amena expectativa, na ilusão de independência, dadas a circunstâncias… nestas situações, quase sempre solitária, devido ao disfarce, e de me julgar sempre menos mal do que estou. Regozijo-me ardentemente de me erguer sem apoio depois da tempestade. Sempre tive oportunidades neste ponto, pois nunca me iludi com a dor.
A falar de Miguel... Porque me levanto sempre tarde? Porque tenho falta de brio ou vaidade. Há tempos um amigo meu comentava comigo uma passagem de livro que estava a ler: “Por terras de Portugal e Espanha” de Miguel Unamuno, o que o intrigava então? Porque dizia Miguel que os Catalães tinham erguido com brilho a sua região, tudo à conta da sua vaidade? Por não caírem no seu goto? Invadiu-me naquele instante que o real motivo que nos leva a bulir é, na maior parte, a necessidade de afirmação perante os outros, e não perante si mesmos. Esta atitude tem ligações intimas com a vaidade, pois na maior parte das vezes essas glórias só existem nos fantasmas da aparência e da língua. Então, feliz daquelas vezes que resulta em algo bom! Que tem de mal ou de bom, então Miguel Unamuno adjectivar como vaidade a força motriz dos Catalães? É um sentir que vive em todos nós. Não é uma crítica nem construtiva o que Miguel faz…apenas diz uma verdade, que além de muito humana e habitual, é algo que embo...