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Termas em Águas-Penamacor Projecto III
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Não consigo dormir. Tenho esta “coisinha” como nomearam ao telefone hoje quando cheguei de Lisboa. E já que assim é, não durmo, aproveito a oportuna vontade de escrever que me deu, de registar estes últimos dois dias, que espero que me fiquem em memória a longo prazo. Registar…talvez amanhã e só para mim…por hoje fico-me com o que resta de tudo (e é mesmo caso para dizer de tudo) desfazendo esta cabeça pesada em propostas para uma conclusão. A verdade é que apesar de viver intensamente o meu mundinho pobre com alegria ao fechar-me no meu micro-sistema, quando saio dele, mudando de ares, que apesar de bons, não me têm trazido nada que me alimente a alma, tudo o que parecia ter importância soberana para mim desvanece, e chega até a sucumbir no sub-consciente, quer-me fazer crer. O facto é que isto me agrada, pois sinto-me menos doentia, de veras menos obcecada, mais leve e como alguém diz e se cruza comigo “Duma existência banal/Até às luzes da Ribalta/Há dois carris de metal/Desde a Bai...
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Hélio Pires Grafite e lápis de cor Formato A3 (Prenda de Natal)
Ideal não me leves a mal. O idealismo é um estado da alma, mas a acção é do diabo. Entre Estados Operários Burocráticos e Democracias Operárias, o socialismo rende-se ao mercado, consequência do desenvolvimento económico e desejo que todos têm, que nem a generosidade de Chávez conseguiu desvanecer, mantendo apenas o que tinha de mais teimoso: trabalhar para alcançar a justiça social. Na prática qualquer ideologia face a uma necessidade se desfaz, pois o ideal não nos é como nosso cão, e sim como coelho que ocasionalmente achámos que seria bom criar na gaiola, mas que quando solto acaba com todas as ligações que nossos pertences têm à terra. Não há sonho que não seja a dormir, não há direita que não seja egoísta, nem esquerda que não seja invejosa. Para Jornal da Juventude Socialista do NESUBI
Estou cansada de Carnaval, de máscaras que escondem horrores. Tudo o que tenho vivido ultimamente, não passa de uma ilusão. Como alguém diz, a complacência gera amigos, a verdade inimigos. Sugerem-me também que a harmonia de relações de que presentemente usufruo-o é culpa minha. Não seria melhor reestruturar algum do meu lado mesquinho, apelando assim aos outros que se mostrem instantaneamente? Como sou só me cria enganos, e só tem feito que o meu barco encalhe. As pessoas levadas a bem correspondem igualmente, levadas pelo mal cravam-nos as unhas, é certo. Mas isso é só uma verdade que se aplica nos princípios de uma relação, pois pelo bem, pela genuinidade, com o passar do tempo, também nos é trazido desagrados, que doem mais, pois já foi depositado amor. Porque será ? Interrogo-me. Julgo que a bondade e todo o manancial de coisas positivas (ainda que pouco enraizadas) que nos traz, causa inveja pelos dois factos, e mais um. Pelo de ser bondoso por si só, que faz sentir os opostos ma...
…sobre o traçado regulador. Tudo o que se cria obedece a uma ordem para bem do seu correcto funcionamento, e como consequência natural inevitável. A verdade é que muitos dos arquitectos de hoje abdicam dessa ordem nas suas criações, o que, pode gerar desagrado se não se tiver sentido critico e não se sentir alguma responsabilidade na criação, pois acredito que se esta houver, se farão boas coisas inevitavelmente com ou sem traçado, passo a explicar porquê. Desde galileu que se tenta prever o que toda a gente chama de caos, ainda que com um sucesso mínimo de constância dentro do sistema, o que normalmente não ocorre na natureza, mas que é suficiente para indagar dois pontos: - Será que é pertinente abdicar de seguir uma ordem na criação artística? - Será que mesmo abdicando, não se encontrará uma inevitavelmente, já que estamos inseridos impreterivelmente num sistema organizado? As duas opções são válidas. Tanto utilizar sistemas reguladores de forma consciente, ou partir em busca de um...
Parece-me tudo tão cruel e indigesto, antes tivesse estômago para tal. Até o tenho…quando me agarro ao esquecimento. Quando o saco enche acabo por me desfazer em dor e render-me aos nós na garganta. Reviver sempre a mesma situação de ambiente para ambiente, mesmo sem fazer nada para obter tal chaga é demasiado duro para quando tudo corre mal, e sejamos sensatos, eu passo a vida a perder-me do tempo, e consequentemente chamo o caos. Depois, quando tudo corre mal, é fácil ver desarrumações em pequenos pontos. Será que a vida social não é importante? Será pequeno ponto? Não. Nós encontramo-nos como humanos na interacção com o próximo. E eu mal me realizo nesse campo. Serei falhada? Ou simplesmente desorganizada? De qualquer das formas, haja o que houver, tenho direito ao comando da minha configuração e nada, nem rejeições, podem pôr em causa tal direito e verdade.