Como se pode brilhar à meia noite? Abano o coração ainda adormecido, esqueço a canção que gastei continuando esta a viver secretamente dentro de mim. O que me aconteceu não sei, não sei do que me recordar, embora saiba do que viver. Tento arrumar à pressa os últimos meses e sair depressa para o trabalho… guardo o coração desperto, e esqueço a canção que noto já não passar na rádio… em sonhos ou nas arrojadas beliscadelas. Trai-me tanto devido a gatos, estes meigos são enquanto os domino. Mesmo sem gatos fico com frieiras da noite fria… sendo assim mesmo com luvas, dizendo as pobres mal criadas que me querem saber ler, que tenho é coração partido, vida em modo corrompido. Não o tenho, talvez só pé dormente e recusa de ir para a cama por estar doente. Para quê camas quando se tem quem nos cante o fado? Quero cantar a cantiga do meu pastor, pois é tarde demais para tudo o que me lembro, mesmo para a verdade crua, po...
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Junho de amor a olhar Outubro dias a dias de árduo a Verão escondido de neblina ou de parede malandrinha quando o Verão se esconde numa janela. vidros sujos de cansaço e passado quando o amor fica longe e calor no Futuro numas férias de folhas estaladiças pedindo também quebradiças de uma rotina que de 4 se fica e de longe se quer olhar.
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Preciso. Impreciso. Quero um lugar que tenha lugar o sonho, o acaso. De cabeça cansada, embrutecida pela rotina, pelos cépticos e amargura, olho sem ternura, nunca assim experimentada... para um tal "20º Acaso" que tirei algures em Leiria sem vontade mas com nostalgia. Faltar-me-à o sonho...ou será apenas tempo...ou serei diferente? Preciso. Preciso de mais precisão para poder olhar a vida com cores novamente. Agora amadureço e enrijecer sem amor pelos meus fracos... pela arte. Esqueço-a. Temo. Temo a minha morte, por amor a alguém, agora a rotina afoga-me em ordinarisses...sem dó, e pior... a minha vida depende delas.
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Uno. Reúno o arruinado antes pensado que agora não faz efeito, talvez apenas porque não se concretizou. Junto todos os pedaços de papel rasgado, apenas sonhos adiados de medo na fronte. Papéis…volto a uni-los, a rasga-los em pedaços mais pequenos até desvanecerem as ideias, os sonhos, desejos que neles se mostram e faço questão em dar-lhes caminho acabando com o meu. Cada dia passa. Cada dia irá passar num futuro a longo prazo numa rotina que a vida não visita nem mesmo a felicidade, apenas o meu conformismo, pondo alegria em todas as pequenas coisas e nos problemas que se evitam mas voltam ainda com mais veemência à superfície. Nisto…porque é que o medo não se rasga? Animal roendo a minha carne que nada resolve, só adia a minha suposta existência que deverá ser agora, pois o amanhã parte do que se consegue hoje. E nisto agarro os pés, voltando à mesma posição. Conforto. Desconforto que se resolve não se resolvendo. Agarro. Mordo as pontas dos dedos dos pés. Tapo-me. E...
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"Um homem sem memória, é um homem sem passado." Albert Camus Porque escavas? Se a memória fosse veneno, alguém não teria presente. Para quê ter memória quando magoa? T er um presente amargurado dev ido a maus presentes no passado. O que do lembrar vale a pena são as sensações. A sensação estrutura-nos, e porque construir só se faz a punho, com toda a dor do esforço que lhe recai…podia dizer-se que um homem sem sensações é alguém sem presente nem futuro. Mas, memória … m emória é como um selo visível ou invisível para nós ou outrem , que veda a fronte. Tudo é nítido na memória, tudo é demasiado realista ou natural, sem a graça da luz que jaz em cada indivíduo onde mora a cor que há em cada coisa que ele absorve, e assim pinta -se algo não muito perceptível e sempre belo. O hediondo é apenas um resto…foi transformado …em algo anímic...
"A menina dança?"
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Sinto-me dissonante, A cada dia que passa. Tempo corre, sem volta e traz um futuro só com casca, de noz estragada. Toco piano sem semi tons. De folha branca em frente. E continuo a insistir no improviso, sem dó. E com ridícula piedade, sendo ela o tom que me permite continuar o caminho sem aumentar, por mim, o valor do meu dia a dia. Nem boas nem más noticias. VAZIO. Sinto-me enganada. Pelas teclas que correm dia após dia, pelas palavras repetidas, ouvidas e possivelmente não sentidas. Pela inexistência do tempo, e pelo conteúdo rico que este fantasma sempre apaga. Sinto-me em dó sustenido. Quase ré dos meus próprios sonhos.
Dias ao Sol.
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A uma tarde de sexta-feira que mais se assemelha a uma noite de domingo, com o futebol sempre como saída do beco, onde afinal é praça que abraça o Tejo e a mim. Nela Pessoa perdido não se fez rogado em deixar num copo vazio e numa meia-noite de lua nova, a saudade de todos os seus rostos, que em cada português, dançante do fado, deixa, mesmo por segundos. Praça do Comércio. Tanto me vendes, com tão bom vinho me enganas. Decerto não a mim somente. Não sei por onde andei, sei apenas que acabei a jantar na cidade de Tomar, ao começar da noite num tão maravilhoso convento, onde até D. Manuel, por Cristo, pecou…em beleza. Sempre a dormir andei, depois disso, até que me encontrei num rodopio de jogos tradicionais, que a mais não foram, onde a gula passa por etiqueta numa quinta a que se dá o nome de Gaio de Baixo, e onde o touro é mais do que macho. Agora bem sei, pela Vala Real rodei, até fazer a Rota dos Mouchões, no rio que não só à cidade da luz pertence, mas às garç...
A Valsa com o Lírio.
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Foi um espelho que me mostrou o teu reflexo mais verdadeiro. A partir dele… Graças a ele…. Não te invento, antes, confirmo-te. Devido ao espelho, agora danço, e sinto-te em todos os passos. Esse sentir, que se vê no mais fumado dos reflexos, torna-me a cada passo mais dormente. Não é amor. Torpor que advém da doçura que toca o irreal, E como poderia o irreal sentir-se? Desmaterializando o real…. ...a existência, o próprio sentir. O Vazio sempre existente ante o ideal torna-me perplexa. Agora, o meu corpo jaz entre medidas pouco idílicas, perdendo-se na presença de teclas oníricas, que me levam mais longe do que alguma vez suspeitei. Quero respirar. O abandono implícito a tudo isto é medonho, sorri a cada gesto, a cada tentativa de fuga impõe-se, com uma abrangência assustadora. Que faço? Não posso abandonar-me. ...
Quando...(?)
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Quando….(?) Numa passagem do sentir Em que a mentira não é eficaz Numa idade que já não é tenra, mas também não pequena demais. Vivia-se sem consideração pelo desdém Devido a inocência e ausência de demais. Depois. Querendo-se ser Feliz Sentir a decair orgulhosamente, as vaidosas …entrenhas do ego ao id. Por tudo o que nos diga respeito, como falíveis Para sempre. Mesmo, se aparentemente formos… …mais. Sentir e não mentir não gostar e querer ficar. Com isto a acontecer... Ter o meu amor. E o teu. Vosso? Sem rasgar perdão. Que pena é ver-te assim: Sem saberes de ti.
Finalmente...
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expor os podres da sobrestimação agora, como sempre desde sempre todos fogem de fazer. Não subestime as coisas que não sou capaz de fazer eu desejava nunca ter-me conhecido. No Final... Fomos feitos para não saber nada ... insignificância que arroga e nada consegue Amando incondicialmente vivendo ávida... e morrendo placidamente que remédio.
Assim.
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Como quem quer a coisa a noite entretece, prolongando-se... é morfina, outrora vivida, como têmpora de ovo, erradicada de um quadro vivo de lembraças e naturezas mortas. é vida e amor que num 8 de 8 anos se desfez é morte não enterrada, saboreada por entre uma fresta em festa quando a brisa entra São cordões que se puxam para sempre sobre gesso e linho, misturados entre dois cenários... sem qualquer fim representativo Realista. Como toda a natureza amorosa isto é simples. sentimentos que não se explicam. é o abstracto da vontade. embora encerre impossibilidade num presente cansado de obrigação. É um pano que se puxa e tapa todo o trabalho de tempos e tempos para não se deteriorar. é uma peça que não acaba só porque se deixou de representar um dia o pano se abrirá. Realmente.
Mais um dia "in"diferente de mim.
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Estação do Oriente? Num dia frio, avanço com calma e trepidante. Sol clemente, sempre com pressa de ir a poente, buscar o mistério de um outro lado de uma bola veemente em amores …dissabores… c onveniências… ardências… r ancores… complacências. 19:30…Tons de verde alface ardente como se o sol tivesse sido quente, que fizesse brotar cor a partir de si… findo com enlace em dois lugares no comboio… se começasse. Nas esquinas, uma pessoa em cada par de cadeiras… umas feias outras não, embora digam que em Portugal, bonitos, não faltarão! Olho novamente. Penso. E se toda a gente de repente, saísse do seu largo lugar e ocupasse as cadeiras vagas, mesmo que ao lado não estivesse o seu par? E se houvessem professores no comboio? Sentar-se-iam, a jeito de quem recomenda, ordeiramente, em lugares com ocupação lateral? Sem mal, não esquecendo assim a sua moral. Esqueço. Estará a minha col...
Noite "D"
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Ao lado de um aconchegante candeeiro, não sendo ele motivo de clareza de ideias, mas antes de vadios pensamentos, quero contar uma história. É sempre assim. A lua lá fora forma "D" de dado, e cresce em silêncio decrescente pela noite fora, até que corpos se separem de suas alcovas, e se ceguem por mais um dia igual ao que lhe antece, acabando em precedência, e irritante redundância. O nosso "D" rasgado no céu, que para nós, por causa da maldita rotina, é bidimensional... faz-me sonhar acordada. A sua beleza, amarelada, e de sorriso amestrado que lhe advém da calmia, faz-me lançar os Dados quando durmo...e fora do sono. Avaliação estratégica? Não. Erro de pensar quando devia apenas sentir. Mas alguém pensa quando dorme...ou sonha? Mesmo acordado... não. Talvez apenas se ame... Viver. Inocente sonhar? Inocente é viver a medo, de se pisar um chão e cair. "D" Night Next to a warm lamp, the lamp not exactly reaso...
Moral Verosímil como Meio de Criação Humana
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Martin Heidegger, em A Origem da Obra de Arte, diz-nos ser necessário que se recorra ao artista para conhecer a origem da obra de arte, porém só sabemos algo sobre o artista, se inquirimos a obra que, por sua vez, só é uma obra porque resultou do trabalho do artista. Desta feita, somos obrigados a penetrar num círculo que, conforme Heidegger, é uma forma que deve percorrer quem se ocupa do pensar. Inseridos no círculo, o caminho devemos percorrer. Chegamos, então à conclusão de que uma obra de arte é aquela que é gerada no auge do conflito entre a Terra e o Mundo. A primeira, reconhecida como a doadora, aquela que se retrai e se oculta no seu silêncio. O Mundo, resultado da construção humana, é aquele que reclama da Terra o proferir de qualquer coisa que o conduza à compreensão daqueles que lhe deram vida e que, por sua vez, ele e a terra são seus geradores. É nesta inter-dependência que se explica a relação entre Obra de Arte e Artista, sendo simultaneamente a partir de...
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Luto. Num museu obscuro há um pequeno quadro. Para encontrá-lo, é necessário ter os olhos vendados. Sentir. Pisar o chão polido, lavado por um homem de cabelo, olhos e pele escura, e não escorregar. Cegos pela escuridão estão um escritor deslumbrado, um professor de educação física resignado e perdido nos seus sentimentos, e um jogador de futebol profissional à procura de alguma cultura, sem nenhuma luz prévia que, uma vez na escuridão, abra portas às suas pretensões. Num instante todos se tocam…e nenhum se invade do seu ofício…na apresentação. Perdidos em imagens que se lhes apresentam, vindas do Museu dos Sonhos, habitado por criaturas que são o reflexo deles. Na invicta escuridão, um estrondo se sobrepõem aos três visitantes…e o quadro desaparece…fora destruído. É então que os três diferentes seres e viveres se dispersam das suas amarguras, e se deixam levar pelas suas convictas imagens. Despedem-se. Qual o Título do Quadro? Frustração. Resta-lhes a sua essência e vibração...
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Mais um dia “In”…diferente de mim ( ...uma personagem de um filme, coloquei-a a viajar ao meu lado num comboio. O que vai acontecer?) Estação do Oriente? Num dia frio, avanço com calma e trepidante. Sol clemente, sempre com pressa de ir a poente, buscar o mistério de um outro lado de uma bola veemente em amores…dissabores…conveniências…ardências…rancores…complacências. 19:30…Tons de verde alface ardente como se o sol tivesse sido quente, que fizesse brotar cor a partir de si…findo com enlace em dois lugares no comboio… começasse. Nas esquinas, uma pessoa em cada par de cadeiras…umas feias outras não, embora digam que em Portugal, bonitos, não faltarão! Olho novamente. Penso. E se toda a gente de repente, saísse do seu largo lugar e ocupasse as cadeiras vagas, mesmo que ao lado não estivesse o seu par? E se houvessem professores no comboio? Sentar-se-iam, a jeito de quem recomenda, ordeiramente, em lugares com ocupação lateral? Sem mal, não esquecendo assim a sua moral. E...